Saudações corrosivas,

Após 10 dias ajudando á levantar a maior prova de regularidade do Brasil, tirei o final de semana para descansar. Os meus garotos estavam doidos para andar de moto, e nada melhor para descansar a mente do que fazer um trail no fim de semana. No sábado levei os meus dois moleques a uma pista de Cross Country na cidade de Betim, onde acontecerá a segunda Etapa da Copa Atual Racing de XC. Gabriel (12 anos) o menor, pegou a sua Yamaha 125 e timidamente entro na pista. Bruno (16 anos), já foi ligando sua CRF 230 e sai a todo vapor já caindo na primeira volta e lá se vai embora uma manete de freio. Enquanto isto ficou vendo a molecada andando até o sol se por no horizonte.

No dia seguinte havia combinado com Juliano Martins, meu grande brother de curtir uma trilhazinha em Macacos e levar o Bruno para conhecer as temidas trilhas da região do “Tapete Branco”. No inicio, escolhemos apenas trilhas leves sentido Bar do Marcinho. Após uma rápida parada no restaurante para cumprimentar “Seu João” e a turma do Marcinho, seguimos rumo às trilhas do alto da Inflação. Entre sobe e desce morros, chegamos a um ponto que deveríamos decidir qual trilha pegar, subir o Tapete Branco ou 50 metros. Naquele momento, lembrei que estava levando o meu filho nas mesmas trilhas que conheci quando ele ainda era apenas um pequeno pimpolho de colo. Como o tempo passa rápido! Bom, mais vamos lá, acabamos escolhendo uma trilha de aparência mais fácil para levar o garoto. Grande erro, saindo em uma trilha abandonada há anos e chegamos a uma enorme grota sem volta no final do trecho.

O jeito foi romper para ver aonde chegaríamos. Com muito esforço, subimos um enorme paredão em forma de degrau com uns 8 metros de altura e 90graus de inclinação. Foi um sufoco transpor aqueles obstáculos. Olhei para o Bruno e vi em seu rosto um sorriso disfarçado do tipo, o que estou fazendo aqui? Ajuda daqui, empurra moto dali, segura pneu, acelera e acabamos chegando ao topo com as três magrelas e nenhum arranhão. Depois daquele sufoco, a trilha voltou ao normal para a região, passamos por muitas pedras soltas e inúmeros obstáculos até que Bruno resolve compra um novo terreno e crava ali a sua segunda manete de freio do final de semana. Olhei a situação e vi que ainda dava para usar o freio dianteiro sem perigo.

Alguns quilômetros depois chegamos à estrada centenária usina do Rio de Peixe. Nesta hora, o garoto já apresentava uma cara de alivio. Entre uma trilha aqui e outra ali começamos a voltar. Agora, Bruno enfrentaria uma dos seus maiores desafios, subir a terrível trilha do ZigZag. Para seu azar, o sol batia no rosto atrapalhando a visão, transformando as armadilhas da subida em uma trilha ainda mais complicada de transpor. Com muita garra o garoto conseguiu chegar ao topo sem ajuda e vi estampado em seu rosto, um enorme sorriso de satisfação de vencer aqueles obstáculos.

Já com o dia escurecendo chegamos ao carro e voltamos para casa. Enquanto Bruno dormia ao lado, vim pensando como é difícil para o um pai tentar ajudar o filho em qualquer situação. Para mim, em cada tombo dele um susto, em cada obstáculo vencido, uma vitoria. Vejo que este passeio mostrou a ele que a vida é como uma trilha. Tem hora que só depende da nossa força de vontade para vencer, e outras, dos amigos de verdade para continuarmos seguindo.

Bruno, bem vindo ao mundo Off Road.

Leo “Corrosivo” direto das trilhas de Macacos.